Três
anos e meio na fila de adoção. O telefone toca.: a menina que tanto esperavam
estava próxima de ser a mais nova integrante da família. A filha caçula.
A adoção
sempre foi algo que cativava e chamava a atenção de Márcia Meurer. A professora
sempre teve vontade de adotar uma criança. E ela enfatiza que era vontade, e
não apenas curiosidade. Márcia acreditava que podia cuidar de alguém que não
tivesse uma família.
O esposo
de Márcia não tinha a mesma certeza, mas sempre parceiro nas decisões da
mulher, acatou sua vontade. Em
novembro de 2008 ela o convidou para irem ao fórum de Tubarão, na intenção de
levar uma criança para passar o Natal e o Ano-novo com eles. Mas, devido à
expectativa causada nas crianças, isso já não era mais possível. A orientação
foi para que preenchessem o cadastro de adoção, se essa fosse mesmo a vontade
do casal. “Era bem gigante o questionário inicial, com inúmeras perguntas, umas
fáceis e outras difíceis, tínhamos de dizer como queríamos a criança”, relembra
Márcia.
Márcia
já tinha uma filha, a Júlia, que é uma criança especial, hoje tem 15 anos. A
decisão era adotar uma outra menina com idade entre cinco a oito anos. Depois
do cadastro, foram solicitados os documentos do casal para então participarem
de um curso preparatório para adoção. “Depois que fiz o curso, tenho outra
visão. Ele ajuda a termos certeza da adoção ou não, ele nos faz repensar”,
relata Márcia.
Enquanto
esperavam para adotar a menina que tanto queriam, o casal recebeu duas
propostas. A primeira foi de dois irmãos, e a segunda, de três meninos, sendo
um casal de gêmeos de 6 anos, e um irmão de 4. “Eles tinham olhos azuis,
cabelos claros. A juíza me telefonou por causa do meu sobrenome Meurer, que tem
origem alemã, assim como a descendência dos meninos”, diz Márcia.
Mas,
pensando de forma racional e não apenas com o coração, optaram por não adotar.
Queriam uma menina maior para fazer companhia à Júlia. Em junho de 2011,
ligaram pela terceira vez. Agora era uma menina. A menina que tanto tinham
esperado. “Assim que a mãe biológica da pequena Karol de 6 anos assinou a
desistência, nos ligaram no dia seguinte. Fomos ao fórum de Tubarão, onde
conhecemos toda a história de Karol”, relembra Márcia.
Tomada a
decisão de conhecer a menina, foram à casa da família acolhedora – que são
famílias cadastradas pela prefeitura e pelo fórum. Elas têm a responsabilidade
de cuidar dessas crianças como membro da família, tendo a consciência de que
não poderão adotá-las
Depois
de conhecerem a pequena Karol, levaram Júlia para conhecer a futura irmã.
Podiam passear com a menina no final de semana, levando-a de volta no domingo,
caso Karol não se adaptasse. Mas, desde que a pegaram
para passear, a menina nunca mais dormiu na casa de sua família acolhedora. “A
adaptação foi muito tranquila, mas ao mesmo tempo assustadora pela forma rápida
como o sentido de família ia acontecendo. Ela foi filha muito rápido,
chamou-nos de pai e mãe no primeiro dia. Isso foi um misto de surpresa ,
alegria e responsabilidade. Mas uma experiência incrível, cheia de muito amor e
novidades todos os dias. Estamos nos conhecendo e nos encontrando no
significado da família. Vale a pena dividir amor!”, conta Márcia.