sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Adoção: um ato de amor




Três anos e meio na fila de adoção. O telefone toca.: a menina que tanto esperavam estava próxima de ser a mais nova integrante da família. A filha caçula.
A adoção sempre foi algo que cativava e chamava a atenção de Márcia Meurer. A professora sempre teve vontade de adotar uma criança. E ela enfatiza que era vontade, e não apenas curiosidade. Márcia acreditava que podia cuidar de alguém que não tivesse uma família.
O esposo de Márcia não tinha a mesma certeza, mas sempre parceiro nas decisões da mulher, acatou sua vontade.  Em novembro de 2008 ela o convidou para irem ao fórum de Tubarão, na intenção de levar uma criança para passar o Natal e o Ano-novo com eles. Mas, devido à expectativa causada nas crianças, isso já não era mais possível. A orientação foi para que preenchessem o cadastro de adoção, se essa fosse mesmo a vontade do casal. “Era bem gigante o questionário inicial, com inúmeras perguntas, umas fáceis e outras difíceis, tínhamos de dizer como queríamos a criança”, relembra Márcia.
Márcia já tinha uma filha, a Júlia, que é uma criança especial, hoje tem 15 anos. A decisão era adotar uma outra menina com idade entre cinco a oito anos. Depois do cadastro, foram solicitados os documentos do casal para então participarem de um curso preparatório para adoção. “Depois que fiz o curso, tenho outra visão. Ele ajuda a termos certeza da adoção ou não, ele nos faz repensar”, relata Márcia.
Enquanto esperavam para adotar a menina que tanto queriam, o casal recebeu duas propostas. A primeira foi de dois irmãos, e a segunda, de três meninos, sendo um casal de gêmeos de 6 anos, e um irmão de 4. “Eles tinham olhos azuis, cabelos claros. A juíza me telefonou por causa do meu sobrenome Meurer, que tem origem alemã, assim como a descendência dos meninos”, diz Márcia.
Mas, pensando de forma racional e não apenas com o coração, optaram por não adotar. Queriam uma menina maior para fazer companhia à Júlia. Em junho de 2011, ligaram pela terceira vez. Agora era uma menina. A menina que tanto tinham esperado. “Assim que a mãe biológica da pequena Karol de 6 anos assinou a desistência, nos ligaram no dia seguinte. Fomos ao fórum de Tubarão, onde conhecemos toda a história de Karol”, relembra Márcia.
Tomada a decisão de conhecer a menina, foram à casa da família acolhedora – que são famílias cadastradas pela prefeitura e pelo fórum. Elas têm a responsabilidade de cuidar dessas crianças como membro da família, tendo a consciência de que não poderão adotá-las
Depois de conhecerem a pequena Karol, levaram Júlia para conhecer a futura irmã. Podiam passear com a menina no final de semana, levando-a de volta no domingo, caso Karol não se adaptasse. Mas, desde que a  pegaram para passear, a menina nunca mais dormiu na casa de sua família acolhedora. “A adaptação foi muito tranquila, mas ao mesmo tempo assustadora pela forma rápida como o sentido de família ia acontecendo. Ela foi filha muito rápido, chamou-nos de pai e mãe no primeiro dia.  Isso foi um misto de surpresa , alegria e responsabilidade. Mas uma experiência incrível, cheia de muito amor e novidades todos os dias. Estamos nos conhecendo e nos encontrando no significado da família. Vale a pena dividir amor!”, conta Márcia.